sexta-feira, 29 de maio de 2015
vem
me abraça forte, faz tudo desaparecer, vem que esse tempo vai passar, deixa eu me atirar sem medo, para com esse olhar que mata, não, não para, ai que saudade dessa cara linda, que revira tudo, eu desisto, já sou tua refém, me leva, me prende, me mata, me deixa te amar
quarta-feira, 27 de maio de 2015
é uma montanha russa
eu nunca gostei de montanha russa
nem nada que fica no alto, voa, sacode muito rápido
gosto de ter os pés no chão
mas me colocaram nessa montanha russa
justo eu com medo de altura
eu que já tenho dupla personalidade
com meus sentimentos nas alturas
não gosto quando as sensações descem ao chão
porque elas ultrapassam o chão
se enterram e me sufocam
já disse que tenho medo de lugares fechados?
claustrofobia
não consigo respirar
a terra me sufoca
em menos de 30 segundos tu me fez enfrentar meus piores medos
é esse o frio na barriga?
vou parar de te odiar
aí vem uma curva e tenho que me segurar
nem nada que fica no alto, voa, sacode muito rápido
gosto de ter os pés no chão
mas me colocaram nessa montanha russa
justo eu com medo de altura
eu que já tenho dupla personalidade
com meus sentimentos nas alturas
não gosto quando as sensações descem ao chão
porque elas ultrapassam o chão
se enterram e me sufocam
já disse que tenho medo de lugares fechados?
claustrofobia
não consigo respirar
a terra me sufoca
em menos de 30 segundos tu me fez enfrentar meus piores medos
é esse o frio na barriga?
vou parar de te odiar
aí vem uma curva e tenho que me segurar
segunda-feira, 18 de maio de 2015
é possível mascarar as atitudes (...)
mas para um bom entendedor, é impossível esconder as intenções. Um mau caráter consegue se passar por bom com suas ações, mas jamais esconder seus motivos. Na vida, você só é enganado se permitir. Quantas vezes conhecemos a maldade nas pessoas e mesmo assim colocamos fé, dúvida, que talvez não seja bem assim? Ninguém é perfeito, somos feitos de luz e trevas, mas todos merecem uma segunda chance? Perdoar é tão diferente de esquecer, assim como é diferente pagar pelo que fez e pelo que não quis fazer. As pessoas não sabem amar, isso é fato. Não sabem porque não se entregam, porque não são elas mesmas, porque vivem uma vida de aparência e não de importância. As pessoas amam do seu jeito, que pra mim, simplesmente não é amor. É por isso que machuca, que dói. Não me entenda mal, eu sei que não devo criar expectativas e eu não crio, mas é que em alguns momentos, observando certas atitudes, fica impossível não se perguntar "como é possível alguém ter uma visão dessas, tão fechada, tão em si?" Posso entender que os outros vejam o mundo diferente de mim e acho isso fascinante. Só que eu sinto que nunca vou ser capaz de compreender isso, como as pessoas conseguem não se importar, como conseguem não querer ver nada a mais do que aquilo que convém. E mesmo assim, mesmo com todas as dores eu ainda quero as pessoas perto de mim, cheias dos seus defeitos. Ainda quero observar elas e amar. Mesmo que elas nunca consigam fazer o mesmo por mim.
sexta-feira, 24 de abril de 2015
eu poderia descrever cada centímetro
teu e da tua alma. Poderia falar por horas sobre quem tu é, como tu age, sobre os teus medos, ficar horas e horas tentando te fazer sorrir, te mostrando de tantas maneiras o quanto os teus defeitos são insignificantes - mesmo que tu já saiba. Poderia durar uma eternidade enquanto eu tentasse descrever a minha vontade ridícula de te tocar, só por curiosidade, como se tu fosse de outra espécie. Tu riria da minha tentativa de colocar em palavras a minha imaginação da simples textura do teu cabelo, reviraria os olhos de um jeito extremamente irritante e até me lançaria aquele olhar frio tão típico. Ficaria de saco cheio da quantidade de vezes em que eu perguntaria sobre a tua saúde, se tem comido direito, dormido bem ou trabalhado demais. Mas todos esses desejos são ridiculamente insanos e fantasiosos. E eu poderia também passar horas e horas listando os contras que são intermináveis... e o quanto me deixa triste simplesmente não poder demonstrar nada disso, não posso demonstrar que gostaria de ser o teu sabonete, uma das tuas camisas ridículas, o teu travesseiro, o teu perfume, ah, eu queria estar nessas mãos... Se tu soubesse as coisas que a minha mente grita quando te vejo, coisas que tenho que ignorar com tanto esforço. Tanto. Esforço. "Eu te imagino, eu te concerto, eu faço a cena que eu quiser". E, pra ajudar, não só tenho essa fascinação absurda, como sinto uma eterna gratidão, por ser tu a me fazer esquecer, por me renovar. Eu tinha certeza absoluta que ficaria quebrada a vida inteira. Mas não. Então, não me importa o ''impossível", o ''nada haver", o "tu não sabe que eu existo", eu não ligo. Porque além de ter tantas visões tuas, distrativas, incríveis de estudar, tu me tirou do buraco, do vazio. Não aguentava mais ver os outros viciados em dopamina, enquanto eu pensava que jamais sentiria isso de novo. Eu pedi, eu implorei, eu até me peguei rezando por isso. Eu consegui. Do que eu vou reclamar? Do inalcançável? Não. Só... obrigada.... por existir.
quinta-feira, 23 de abril de 2015
não sei se eu culpo Deus por me fazer desse jeito
ou se crio uma falsa admiração por mim mesma pra amenizar as coisas. Simplesmente n ã o é p o s s í v e l alguém querer só coisas difíceis na vida. Sei que pedi por isso, mas é inacreditável! Agora não posso reclamar, "cuidado com o que deseja", descobri o significado dessa frase que esnobei por tanto tempo. Meu desejo foi realizado e apesar de melhorar um aspecto parece que ele veio pra piorar outros. Como se não pudesse piorar. Por que não consigo disfarçar? Por que sou tão ridícula? Ridícula, ridícula, ridícula. Burra. Imbecil. Altruísta de merda. Masoquista. Idiota. Sempre acreditei que todo mundo tem um objetivo na vida e descobri o meu "essa vai gostar de tudo que for quase ou completamente impossível, vai passar a vida inteira esbarrando com coisas que tem que fugir e aumentando o ego de idiotas, manipuladores, arrogantes e... absurdamente admiráveis e com um coração do tamanho do universo!" Não consigo mais, fui ali tentar morrer e espero não voltar. Adeus!
sexta-feira, 17 de abril de 2015
odeio essa avalanche
de julgamentos que me fazem e que fazem uns aos outros. Por que complicar tanto as coisas? Por que não simplesmente perguntar as coisas ao invés de fazer suposições erradas e maldosas? Ou porque, decidir sobre alguém simplesmente por suposições rasas e sem fundamento? Ok, eu faço isso o tempo todo, mas não decido concluir nada, eu sempre dou novas chances e tento entender, saber o quanto posso estar certa ou não. Mas me assusta como se pode ser julgado tão cruelmente. Ás vezes é um pouco divertido, as conclusões que as pessoas chegam sem te conhecer e eu tenho que admitir que gosto de permanecer em silêncio, assistindo, o quanto podem ser criativas. Só que em poucos momentos é doloroso ser julgado tão... Não sei a palavra, mas é deprimente. Acho que é por isso que não deixo as pessoas me conhecerem, porque elas são ridículas e péssimas em interpretar as coisas. Dá medo tentar mostrar quem você é, se o outro vai entender o que ele quiser. Então, qual é o ponto? Prefiro ficar em silêncio e ser julgada da maneira que quiserem, já que, no fim, sempre vão tirar suas próprias conclusões. Deixem que fiquem com elas, se divirtam, fantasiem, achem que sabem. Adeus.
quando fico em silêncio
esse é o problema. Quando não sei botar pra fora o que me sufoca.
Sinto inveja das pessoas que conseguem botar pra fora, com palavras verbais, as coisas que perturbam suas mentes. Estive pensando muito nisso, e sobre a arte por si só. Acredito que existem pessoas que precisam de alguma forma de arte pra se sentirem melhores e as que, só admiram, se identificam, se sentem melhor e sabem se expressar verbalmente. Quem não consegue, como eu, precisa encontrar um modo. Seja escrevendo coisas banais ou até dedicando umas horas da vida pra pintar, desenhar. É como terapia. É por isso que a arte é arte. Porque só é feita quando tem emoção. E emoções são comuns e quando algo é comum há um vinculo de identificação e é isso que causa alívio, como uma droga. Pras duas partes. Quem observa e quem faz. Quem observa porque percebe que não está sozinho, que alguém compartilha das suas dores ou alegrias sentidas, e quem faz porque conseguiu tirar de dentro algo que fez com que não se sentisse tão incomum. Queria ser da parte que observa. Não que, o sofrimento dessa parte seja menor, mas aos meus olhos, saber se expressar verbalmente aumenta o tempo do processo e ao alívio é mais rápido. Não é como passar horas e horas pensando sobre como tirar isso de si, como ter que achar um modo. Parece tão mais simples do que esse transtorno e depois do resultado ter que ouvir questionamentos, críticas. Mas o ponto não é a perfeição ou a explicação. É só poder botar pra fora, o resto é resto e não importa.
Sinto inveja das pessoas que conseguem botar pra fora, com palavras verbais, as coisas que perturbam suas mentes. Estive pensando muito nisso, e sobre a arte por si só. Acredito que existem pessoas que precisam de alguma forma de arte pra se sentirem melhores e as que, só admiram, se identificam, se sentem melhor e sabem se expressar verbalmente. Quem não consegue, como eu, precisa encontrar um modo. Seja escrevendo coisas banais ou até dedicando umas horas da vida pra pintar, desenhar. É como terapia. É por isso que a arte é arte. Porque só é feita quando tem emoção. E emoções são comuns e quando algo é comum há um vinculo de identificação e é isso que causa alívio, como uma droga. Pras duas partes. Quem observa e quem faz. Quem observa porque percebe que não está sozinho, que alguém compartilha das suas dores ou alegrias sentidas, e quem faz porque conseguiu tirar de dentro algo que fez com que não se sentisse tão incomum. Queria ser da parte que observa. Não que, o sofrimento dessa parte seja menor, mas aos meus olhos, saber se expressar verbalmente aumenta o tempo do processo e ao alívio é mais rápido. Não é como passar horas e horas pensando sobre como tirar isso de si, como ter que achar um modo. Parece tão mais simples do que esse transtorno e depois do resultado ter que ouvir questionamentos, críticas. Mas o ponto não é a perfeição ou a explicação. É só poder botar pra fora, o resto é resto e não importa.
terça-feira, 7 de abril de 2015
é que ás vezes eu levanto
E sinto que esqueci alguma coisa
Quando chego em casa percebo que minha alma ficou na cama
"Amanhã tu vai comigo, não é tão ruim. Prometo. "
E quando ela vai algo acontece e eu fico uma semana sem alma de novo.
Quando chego em casa percebo que minha alma ficou na cama
"Amanhã tu vai comigo, não é tão ruim. Prometo. "
E quando ela vai algo acontece e eu fico uma semana sem alma de novo.
sábado, 4 de abril de 2015
eu morri a cada segundo
Talvez eu precisasse ser acordada. Será que sempre recebi mensagens assim e não tinha percebido até agora? Tanto tempo... Será que as pessoas perceberam que eu não estava ali, que eu não vi o tempo passar, que eu era um corpo vazio. Aliás, que eu não me reconheço mais? Será que elas perceberam meu olhar perdido? Será que elas tem alguma ideia de como é difícil encontrar um motivo para levantar de manhã, pra sorrir, pra... respirar? Será que elas tem alguma pequena ideia de como me deixavam entediada? Um tédio imenso que preenchia todo vazio. Eu tinha borboletas no estômago, mas veio alguém e cortou as asas das borboletas. Um corte lento e doloroso. Elas faziam parte de mim. Eu senti tudo. As asinhas apodreceram no fundo do meu estômago, seus corpinhos mumificaram nas paredes dele, infeccionou, eu morri. E morri de novo. Morri. E morri até não aguentar mais. Até pedir pra morrer de verdade. E morri de novo, de culpa por querer morrer.
sexta-feira, 3 de abril de 2015
a mente governa uma vida
a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria a mente domina a matéria
segunda-feira, 30 de março de 2015
eu e a desgraçada da consciência
"Uhul, vamos lá, UFRGS 2016 então?"
...
"Falando sério, vai me ignorar de novo?"
"Sim."
"Tem tantas coisas legais pra fazer e tu vai estudar de novo? Tu ainda não percebeu que é burra e que burros não passam no vestibular? Tenho que te lembrar disso todo dia. Burro é tão burro que não percebe. Acha mesmo que insistir vai mudar alguma coisa na tua capacidade?"
"Não é fácil. Todo mundo precisa tentar de novo quando não consegue..."
"Tá. mas QUATRO vezes? Que vergonha hein. Acho que já deu pra ti. Vai fazer outra coisa da vida"
"Tipo?!?"
"Tipo trabalhar com a mãe, é moleza. Aliás, não sei porque tu não se rende e faz isso mesmo. Tu já entende um pouco e pode tirar férias com nossos pais"
"Hahaha, essa é a solução pra ti? Que gênia! Passar o resto da vida fazendo uma coisa que eu desprezo atrás de uma mesa, morrendo de tédio. Uma infeliz e mal amada."
"Minha opção é melhor do que a tua. Tu não vai passar pra Medicina nunca, então prefere passar o resto da vida fazendo cursinho e estudando?"
"Eu vou passar."
"Vai é? Pode me garantir isso? Quando? Convença-me"
"Não preciso te convencer de nada, tu não é real."
"Tu diz isso porque sabe que não vai conseguir..."
"Na verdade, eu vou sim. Porque não tenho outra opção e prefiro morrer a estar fazendo outra coisa. Burra ou não, vou continuar tentando mudar isso. Não vou me conformar. Agora, me deixa acabar esse exercício aqui"
"Opa, errou não é? Hahaha Tô vendo que os planos pro futuro vão demorar, enquanto isso eu fico te vendo criar bunda, sem nosso namorado, sem emprego, causando desgosto na família inteira. Ai ai"
"Não erraria se tu fizesse um pouco de silêncio. Por favor?"
"Ótimo! Agora é culpa é MINHA pelo teu fracasso. Isso mesmo. Fracassados sempre acham um culpado. É a tua cara Amanda, pode mandar ver, diz que fui eu"
"Não tô te culpando por merda nenhuma, eu que sou culpada por te deixar opinar na minha vida"
"Que vida?"
"Vai te fude"
"Opa, começou a baixar o nível... De novo."
"Olha só, antes tu tava quietinha há dois dias e foi bom. Por que não se cala de novo? Sério. Se tu fizer silêncio ou até me ajudar, juntas a gente consegue. Agora, se tu ficar falando essas coisas pra mim, só vai piorar. Tu sabe que não vou parar."
"Eu sei. Eu moro aqui. Mas quem sabe, se só hoje a gente sei lá, não fosse visitar os avós?"
"Não dá. Tenho que acabar isso aqui."
Suspiro.
Sorriso.
"Ah, tudo bem. Pode estudar e vê se coloca alguma coisa nessa cabeça, não aguento mais ficar presa em casa estudando."
"Pode deixar! Obrigada!!"
...
"Falando sério, vai me ignorar de novo?"
"Sim."
"Tem tantas coisas legais pra fazer e tu vai estudar de novo? Tu ainda não percebeu que é burra e que burros não passam no vestibular? Tenho que te lembrar disso todo dia. Burro é tão burro que não percebe. Acha mesmo que insistir vai mudar alguma coisa na tua capacidade?"
"Não é fácil. Todo mundo precisa tentar de novo quando não consegue..."
"Tá. mas QUATRO vezes? Que vergonha hein. Acho que já deu pra ti. Vai fazer outra coisa da vida"
"Tipo?!?"
"Tipo trabalhar com a mãe, é moleza. Aliás, não sei porque tu não se rende e faz isso mesmo. Tu já entende um pouco e pode tirar férias com nossos pais"
"Hahaha, essa é a solução pra ti? Que gênia! Passar o resto da vida fazendo uma coisa que eu desprezo atrás de uma mesa, morrendo de tédio. Uma infeliz e mal amada."
"Minha opção é melhor do que a tua. Tu não vai passar pra Medicina nunca, então prefere passar o resto da vida fazendo cursinho e estudando?"
"Eu vou passar."
"Vai é? Pode me garantir isso? Quando? Convença-me"
"Não preciso te convencer de nada, tu não é real."
"Tu diz isso porque sabe que não vai conseguir..."
"Na verdade, eu vou sim. Porque não tenho outra opção e prefiro morrer a estar fazendo outra coisa. Burra ou não, vou continuar tentando mudar isso. Não vou me conformar. Agora, me deixa acabar esse exercício aqui"
"Opa, errou não é? Hahaha Tô vendo que os planos pro futuro vão demorar, enquanto isso eu fico te vendo criar bunda, sem nosso namorado, sem emprego, causando desgosto na família inteira. Ai ai"
"Não erraria se tu fizesse um pouco de silêncio. Por favor?"
"Ótimo! Agora é culpa é MINHA pelo teu fracasso. Isso mesmo. Fracassados sempre acham um culpado. É a tua cara Amanda, pode mandar ver, diz que fui eu"
"Não tô te culpando por merda nenhuma, eu que sou culpada por te deixar opinar na minha vida"
"Que vida?"
"Vai te fude"
"Opa, começou a baixar o nível... De novo."
"Olha só, antes tu tava quietinha há dois dias e foi bom. Por que não se cala de novo? Sério. Se tu fizer silêncio ou até me ajudar, juntas a gente consegue. Agora, se tu ficar falando essas coisas pra mim, só vai piorar. Tu sabe que não vou parar."
"Eu sei. Eu moro aqui. Mas quem sabe, se só hoje a gente sei lá, não fosse visitar os avós?"
"Não dá. Tenho que acabar isso aqui."
Suspiro.
Sorriso.
"Ah, tudo bem. Pode estudar e vê se coloca alguma coisa nessa cabeça, não aguento mais ficar presa em casa estudando."
"Pode deixar! Obrigada!!"
sábado, 28 de março de 2015
"estas alegrias violentas têm fins violentos" (...)
(,,,) "falecendo no triunfo como fogo e pólvora" e ainda assim nos arriscamos por essa alegria, esse momento. Mesmo que o fim seja de mesma intensidade, porém trágico. A tragédia vem na mesma proporção do gozo. A decepção é a mesma que o tanto que você decidiu confiar. O luto é o mesmo que você amou. Então, por que nos jogamos com tudo nessa satisfação de sentimentos humanos, se, sabemos que depois tudo vai voltar com a mesma força? Porque precisamos desses sentimentos, os bons e os ruins, para nos ensinar a viver e a sermos humanos. Necessitamos do amor do mesmo modo que a dor deve nos mostrar a proporção certa de amar.
segunda-feira, 23 de março de 2015
domingo, 22 de março de 2015
essa loucura toda é infinita
Sou a pessoa mais fácil de agradar, mas junto disso a mais
fácil de entristecer também. Uma palavra, um gesto, um sei lá, pode acabar com
meu estado de espírito. É muito ruim viver com isso. As pessoas fazem piada
sobre transtorno de bipolaridade porque não têm ideia do quanto é infernal
mudar da euforia á depressão profunda em trinta segundos. Em um momento você
pensa que o dia vai ser perfeito e quando se deita pra dormir tem vontade de se
debruçar em lágrimas. É claro que, é algo que se pode acostumar. Eu me xingo
mentalmente “Quanto drama só por causa disso, o que aconteceu com a alegria de
segundos atrás?” E me esforço ao máximo pra espantar os pensamentos destrutivos
e infelizes. Loucura não precisa de diagnóstico. Sou puramente louca e tenho
consciência disso. Mas, quem não é louco? É claro que eu tenho uma teoria pra o
que se passa na minha cabeça e me levar a essa loucura, nessa montanha russa de
sentimentos – deve ser por isso que tenho medo de altura -. Acredito que seja
parte do hábito de usar minha visão como principal recurso na minha vida. Eu
tenho uma ânsia por observar tudo e é tão forte que me esqueço de piscar, quando
eu percebo meus olhos estão secos. Eu não queria piscar pra não perder nenhuma
imagem. Eu observo as pessoas que acho interessantes e descarto imediatamente
as previsíveis e entediantes. É literalmente como se tivesse um monte de caixas
na minha mente com “interessante”, “temos algo em comum”, “precisa de ajuda”, “mau
caráter”, “irritante”, “família”, etc. São muitas caixas. Quando eu vejo
determinada pessoa de uma caixa meu cérebro começa a implorar que eu observe
tudo que puder ser útil de acordo com a descrição dessa pessoa. Não sei o que
isso parece a alguém de fora, mas eu posso jurar que em poucas semanas eu
aprendo muito sobre essas pessoas. Isso torna a comunicação simples em uma via,
só que ao contrário trava. Porque agora vem a parte mais louca: como eu observo
tudo isso nas pessoas, como eu aprendo tanto sobre elas, sobre coisas que elas
não precisam me dizer eu simplesmente tento evitar que elas possam ler qualquer
coisa em mim. Eu bloqueio tudo, eu inverto os gestos que indicariam o que eu
sinto, mudo qualquer coisa. Por quê? Porque eu não quero que as pessoas me
conheçam. Quero saber tudo sobre elas e isso me interessa, mas não quero que
elas saibam muito de mim. Isso me assusta. Quem gosta de sentir medo? Tudo isso
acontece em uma fração de segundos, é um instinto. É como se a minha cabeça me mandasse
mentir pra me proteger. Algumas vezes conheço pessoas maravilhosas e queria
retribuir esse “conhecimento” deixando que elas me julguem, não eu. Mas eu
nunca sou capaz. Me apavora. Assim como me apavora quando me surpreendem, quando
alguém muda de direção e eu tenho que fazer todas possibilidades. E é por isso
que sei porque eu mudo tão depressa, porque não suporto me sentir vulnerável ou
sem conhecimento. Quando eu perco um raciocínio, um gesto, me sinto em pânico.
Um pavor que minutos atrás era tranqüilidade por saber exatamente o que
aconteceria a seguir. Tenho medo da altura da montanha russa, mas a cegueira me
apavora. Odeio me sentir cega. Não tenho palavras pra descrever como é
solitário isso aqui, essa loucura toda na minha cabeça. É infinita.
sábado, 21 de março de 2015
a sujeira que eu sou
Eu sou como um cano de pia que ficou aberto por muito tempo. Sabe o que acontece quando se tira o filtro? Tudo passa deixando um vazio ali. Mas o cano ficou aberto por tempo demais... Coisas se acumularam no fundo e eu juro que tentei colocar o filtro, mas já estava entupido demais. Sabe a solução que restou? Água quente. Tenho que jogar água quente pra limpar o cano. Ah, eu já coloquei a água pra ferver tantas vezes! Só que sou covarde demais pra reclamar, digo derramar. Não posso. Por quê? Porque vai doer, afinal eu sou humana também e é água quente, vai queimar tudo, talvez até destruir o que eu quero que fique inteiro. O problema é que a sujeira do cano se tornou parte de mim.
entre quatro paredes
Estar entre quatro paredes é a melhor sensação de todas! Não precisar fingir que está tudo bem, não precisar mascarar nada: o som histérico da minha voz assustando as pessoas, meu sorriso pouco convincente, o olhar vago... Se eu pudesse me ver sozinha diria que é uma imagem triste, deprimente, nada do que eu quero passar pros outros. Mas então, eu estive pensando, de tudo que eu observo no meu silêncio, de todas as coisas que eu não perco: podia ser pior que isso. Mais deprimente do que estar completamente só é estar o tempo todo buscando atenção dos outros, o tempo todo rodeado por gente e estar só, mas tendo que fingir. Vejo centenas dessas pessoas passando por mim na rua e posso dizer que, sinto muito pena. Pena porque elas não conhecem a felicidade mais do que eu, pena porque, apesar de estar deprimida eu gosto da minha própria companhia, gosto de estar só, do alívio de não precisar fingir nada, gosto dos meus pensamentos, das minhas piadas e de poder pensar nos meus medos. Mas e essas pessoas só sorrisos sempre envolta de uma multidão? Será que elas aguentariam elas mesmas entre quatro paredes? Ou elas se esforçam pra nunca ter que sentir a sensação, já que não suportam a si mesmas? Será que em uma escala numérica quem seria mais medíocre, eu ou elas? Admito que pra minha mente doentia a resposta seria que eu ainda - por alguns décimos - sou menos medíocre, porque posso ter momentos realmente felizes sozinha, eu não fujo de mim mesma, eu enfrento meus defeitos, aceito meus erros e me julgo melhor do que qualquer um porque eu moro aqui há anos da minha existência. E, mesmo sentindo pena desses miseráveis que não suportam a si mesmos, o meu egoísmo fala mais alto e eu me sinto grata. Grata por ter quem apontar e dizer: podia ser pior, podia ser como ele entre quatro paredes.
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